19 de jun de 2012

o trigal com os corvos

já tinha comentado aqui como a imagem do campo de trigo era desoladora para ele. agora, catástrofe geral com theo e jo, um drama danado, nem queiram saber. volta a auvers e muda totalmente o tema e o espírito de suas pinturas. se antes pintava casas, jardins, pessoas, vistas de cidades, chalés etc., sempre algo evocando o doméstico, o acolhedor, os céus radiantes, o sol, as estrelas, agora é a desolação suprema, a solidão radical, nenhuma alma viva, nenhuma morada, nenhum campanário, até um horizonte que nem se enxerga de tão distante. e os céus, ah, os céus: carregados, tempestuosos, ameaçadores, um vendaval tão forte agitando o trigo que chega a afugentar os corvos ali aninhados, assustados com a inclemência dos elementos. como disse ele, agora não anuncia mais o poder consolador da natureza; usa o pincel "para expressar a tristeza e a solidão extrema". meados de julho, pouco antes de morrer.